NOVA ERA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA PROPRIEDADE INTELECTUAL
Colaboração Revista Marcasur, autor: Hugo Bazzani Hoet Pelaez Castillo & Duque - VENEZUELA
As empresas de advogados e agências da Propriedade Intelectual (PI) não escapam das exigências que um mundo comercialmente globalizado demanda. Tradicionalmente muitas destas empresas estavam guiadas sob estruturas Jurássicas onde “as coisas” (hoje procedimentos) “se faziam assim, porque sempre se fizeram assim”. As expectativas do mundo contemporâneo exigem valor agregado ao serviço que se presta e estas exigências superam estritamente ao que representa o serviço legal oferecido propriamente dito. Do ponto de vista do negócio tudo inicia com a solicitação de uma ordem e termina mediante a cobrança do serviço prestado, ou ciclo comercial. Hoje em dia nossos clientes, (indivíduos, indústrias, corporações e co-responsáveis) aumentam suas expectativas e exigências cada vez mais pelo qual estamos obrigados a dar um valor agregado em nossos serviços.
O mundo comercial seja de serviços, consumo massivo ou especializado, em busca de ser mais competitivo, investe mais dinheiro em Pesquisa e Desenvolvimento (P+D). Em uma recente publicação da Comissão Européia, “The 2006 EU Industrial R&D investment Scoreboard”, assinalam neste último informe que de um universo de 2.000 companhias a nível mundial, foram investidos €371 bilhões em 2005 por este conceito, o que representa um aumento de 7% comparado com o período anterior. A média de crescimento de investimento na Pesquisa e Desenvolvimento das companhias pertencentes à União Européia (UE) foi de 5,3% enquanto que as correspondentes ao restante (Non-UE) alcançaram 7,7%, sendo o setor de tecnologia de equipamentos (Technology hardware & equipment) o de maior investimento com €70,4 bilhões.
A seguir é apresentado um resumo do Ranking de Investimento por setor industrial:
|
Posição |
Setor |
Investimento (€MM) |
Participação (%) |
|
1 |
Tecnologia de equipamentos |
70,4 |
19,0 |
|
2 |
Farmacêutica e Biotecnologia |
68,2 |
18,4 |
|
3 |
Automóveis e peças |
64,1 |
17,3 |
|
4 |
Componentes e equipamentos eletrônicos |
27,4 |
7,4 |
|
5 |
Software e serviços de computação |
25,3 |
6,8 |
Na tabela anterior observamos que estes cinco setores alcançam um investimento de P+D de € 255,4 bilhões, com quase 70% de participação sobre o investimento total. O total do investimento antes assinalado está representado pelas seguintes empresas por setor:
|
Posição |
Empresa |
Setor |
Investimento (€MM) |
|
1 |
Ford Motor, USA |
Automóveis e peças |
6,8 |
|
2 |
Pfizer, USA |
Farmacêutica |
6,3 |
|
3 |
General Motors, USA |
Automóveis e peças |
5,7 |
|
4 |
DaimlerChrysler, Germany |
Automóveis e peças |
5,6 |
|
5 |
Microsoft, USA |
Software |
5,6 |
|
6 |
Toyota Motor, Japan |
Automóveis e peças |
5,4 |
|
7 |
Johnson & Johnson, USA |
Farmacêutica |
5,4 |
|
8 |
Siemens, Germany |
Componentes y equipamentos eletrônicos |
5,2 |
|
9 |
Samsung Electronics, South Korea |
Componentes y equipamentos eletrônicos |
4,6 |
|
10 |
GlaxoSmithKline, UK |
Farmacêutica |
4,6 |
Onde podemos concluir que entre as primeiras 10 empresas (que representam € 55,1 bilhões), as empresas Automotoras alcançam € 23,5 bilhões do investimento, liderada pela Ford (USA)
No entanto na busca de otimizar sua rentabilidade, os orçamentos da PI são mais ajustados e se protegem os direitos proporcionalmente à probabilidade de sucessos de um projeto. Antes se protegia e depois se justificava ou procurava o uso dos portfólios marcários e de patentes que se tinha. As grandes empresas do mundo cotizam suas ações nas principais bolsas comerciais a nível mundial, o que nos indica que seu foco de negócio ou melhor dizendo seu “core business” está baseado em ser do tipo financeiro. Um jogo entre manter a empresa rentável baseado a um bom marketing mix, satisfazendo ou superando as expectativas dos clientes consumidores, conseguir os objetivos de vendas, manter as finanças saudáveis e retornar aos acionistas um máximo de rentabilidade. Nesta mesma medida os orçamentos da PI são cada vez mais controlados. Uma amostra deles é que a grande maioria dos clientes, grandes corporações, exige estimativas anuais, semestrais e até trimestrais para manter um controle eficiente da partida orçamentária da PI.
Adicionalmente, outro fator que incidiu na diminuição do gasto de proteção dos direitos da PI, foi a redução da variedade de produtos (número de apresentações e tipos) ou “SKU’s Rationalization” que afeta diretamente na depuração dos portfólios, trazendo (entre outros) como conseqüência o abandono de marcas e patentes solicitadas.
A inovação como vantagem competitiva e o investimento na sua proteção.
A evolução tecnológica não somente se vê refletida nas categorias de negócios que apresentaram seu maior crescimento nos últimos anos, como são as empresas de tecnologia, farmacêuticas, automotoras e equipamentos elétricos, para mencionar apenas algumas delas. As empresas têm a necessidade de possuir uma filosofia de inovação contínua para manter-se na vanguarda. Cada vez os processos de desenvolvimentos são mais acelerados no mundo tão competitivo como o atual. Os líderes não querem ser “ME TOO” ou “EU TAMBÉM”, desejam permanentemente ter vantagens competitivas bem diferenciadas que nos posicionam como líderes, requerendo da proteção dos direitos da PI. Os lançamentos de produtos e serviços são cada vez mais globais. O tempo de resposta de produção para realizar um lançamento de um novo produto reduziu-se a um terço do que representava no passado. A introdução de novos produtos e seu tempo de resposta para comercializar internacionalmente, (especialmente de consumo massivo), na Europa e nas Américas para o restante do mundo tem diminuído substancialmente.
Em alguns casos vemos como produtos que foram lançados nos EUA ou na UE ao término de seis meses ou menos aparecem nos outros continentes com campanhas globais que mantêm essencialmente a mesma peça publicitária.
Pelo acima citado as empresas da PI devem colocar-se a postos para satisfazer plena e oportunamente as necessidades e expectativas do mercado.
A lealdade das empresas e firmas (co-responsáveis) são muito voláteis no mundo da proteção dos direitos da PI, onde os custos dos serviços podem chegar a ser muito competitivos, não sendo esta última a variável mais importante no momento de avaliar as alternativas do mercado.
Talvez pareça pouco comum, mas as Empresas de Advogados foram montadas sobre a plataforma da reengenharia melhorando seus processos, reorganizando seus equipamentos de trabalho, procurando o “cross fertilization” entre seus talentos (rotação de seus recursos humanos com potencial, em diferentes áreas de produção); desenvolvendo soluções tecnológicas de acordo com as expectativas dos clientes para dar resposta rápida, de qualidade e agregando valor. Nas Empresas de Advogados já não se vê apenas os desenvolvimentos internos de novas tecnologias, mas também os recentes e tão proliferados sistemas de “e-billing” (faturamento eletrônico online) que exigem às empresas cumprir com requerimentos para alinhar-se com estas novas exigências exógenas que beneficiam a ambas as partes, devido a redução dos tempos tanto de recepção das faturas por parte do cliente assim como reduzindo o ciclo comercial com as cobranças, como passo final do serviço prestado. As empresas mais avançadas oferecem serviços a seus clientes para gestão de seus portfólios da PI, com controle de informação e seguimento de seus casos via Internet, com acesso Web e alto nível de segurança. Apenas acessando um destes serviços online, os clientes ao dar um “clique’ podem visualizar a última atualização ou estado de um caso, o que permite em tempo real estar totalmente informado, que por sua vez exige que os escritórios mantenham seus sistemas em dia. Igualmente já são muitos os países que por meio de seus escritórios nacionais de Marcas e Patentes hoje oferecem a possibilidade de realizar as solicitações de registro online, além de facilitar o acesso à informação de suas bases de dados publicamente.
Pelo acima mencionado é fundamental que as Empresas de Advogados mantenham na vanguarda o seu planejamento estratégico, não apenas na preparação e formação contínua de seus profissionais, mas que igualmente faça um redimensionamento para satisfazer estas exigências gerais do mercado.
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Last updated -30 agosto 07