Buscar Advogados & Escritórios de Advocacia

Busca avançada

Acesse o perfil de mais de um milhão de profissionais da área jurídica.

Estado dos EUA /Província do Canadá
Estado
ou 

Pesquisar tópicos jurídicos

Busca avançada

Consulte a base de dados do martindale.com que contém milhares de artigos sobre uma variedade de tópicos jurídicos.


(e.g. "Tort Reform","Patent")

Visualizar tópicos jurídicos por área de atuação

Ausência de Férias: o vicio pelo trabalho atinge o seu escritório?

Por John Jaffey

Josh Frost é um jovem advogado criminalista de Toronto. Embora saiba que deveria tirar férias uma vez por ano, ele sempre acaba dando um jeito de tirar apenas alguns dias para se distanciar um pouco do seu escritório porque “sempre há alguma oportunidade de trabalho no horizonte”.

Ele contou ao The Lawyers Weekly: “tenho de procurar estabelecer mais intervalos para descansar porque, com o tempo, o estresse e a carga de trabalho acabam esgotando até mesmo o mais dedicado dos advogados”. Disse que pensa que as coisas irão melhorar quando ele alcançar melhores resultados na carreira: “Quando você tem subordinados, fica mais fácil tirar férias, porque é possível deixar o trabalho sob a responsabilidade deles”.

Lamentavelmente, longas férias não parecem ser uma realidade para um grande número de advogados. Uma pesquisa recente da Ipsos-Reid mencionada no El Globe and Mail colocou os advogados na quinta posição em uma lista de “Privados de Férias”, justamente depois dos médicos, acompanhantes de idosos e/ou pacientes, funcionários de lojas varejistas e funcionários de sindicatos.

O recém-nomeado presidente da Ordem dos Advogados de Ontário (OBA) disse ao The Lawyers Weekly que os advogados “raras vezes tiram férias do tipo e duração que se espera de pessoas de sua idade e hierarquia, e normalmente descansam apenas em feriados prolongados”. Ele fez esse comentário em um programa sobre relatos de histórias da OBA, relacionado com o balanço sobre a vida pessoal/profissional. James Morton atribuiu a falta de férias dos advogados à pressão econômica e às expectativas dos clientes. “Eles estão limitados em termos econômicos e não querem deixar a empresa sem atendimento”, disse. “Também pensam que os clientes sempre precisam deles de imediato. Quando os clientes querem falar com seus advogados, querem falar somente com eles”.

Morton disso que o modelo de um grande advogado está baseado em advogados fictícios, como Perry Mason. “Você vê que ele atende um telefonema às três da manhã e depois corre para uma delegacia. Isso é o que a sociedade espera dos advogados, e é pouco razoável”.

Talvez seja pouco razoável. Mas o próprio Morton, que é sócio de um escritório de advocacia com 16 advogados, a Steinberg, Morton, Frymer LLP, admite que ele pertence à categoria dos feriados prolongados. Em seu vigésimo ano de prática, Morton disse que sua meta é ter uma semana de descanso no verão, mas que não consegue cumpri-la “por um número considerável de anos”. Seu escritório não tem política de férias. Ele comenta: “Fica a critério de cada advogado decidir quando deseja tirar férias e quanto tempo ficará ausente. Seria bom se imitássemos as férias dos outros funcionários. A maioria dos outros funcionários do escritório com mais tempo de casa tira cinco semanas de férias. Mas para mim seria uma surpresa se tirássemos duas semanas. Considero que talvez a gente tire apenas uma semana”. Disse que ele mesmo não conhece um único advogado que tire férias de três semanas ou consiga ter um longo descanso anual.

Oficialmente, a OBA incentiva os advogados a tirarem férias. “A prática legal melhora quando se tem uma vida fora da prática” disse Morton. “Temos visto uma grande deserção de advogados e particularmente uma taxa maior de mulheres dentro da profissão”.

Cheryl Stephens, coach pessoal, fez a seguinte afirmação ao The Lawyers Weekly: “As pessoas precisam da recuperação e do descanso de umas férias para continuar trabalhando de modo eficaz, e particularmente para desenvolver um pensamento criativo e inovador. Quando um advogado não tira férias, isso gera um problema. E não apenas um problema para o advogado, mas também para o escritório. O comportamento de trabalhar além da conta indica um problema mais profundo, o que geralmente causará danos ao escritório: perfeccionismo, vício pelo trabalho, falta de habilidade para delegar, falta de perspectiva etc.”

Ela menciona que os escritórios deveriam contratar um coach executivo para trabalhar com esse tipo de advogados, “não apenas para se programar e para realmente tirar férias, mas também para identificar a origem do problema e tentar solucioná-lo”.

Os megaescritórios parecem reconhecer que trabalhar sem descansar pode ser um problema. A política de férias na McCarthy Tetrault LLP, por exemplo, incentiva os associados a tirarem férias anuais. Doug Maybee, Diretor de Comunicações, explica que o direito de quatro semanas não é acumulativo. Se eles não tiram férias, elas serão perdidas. Depois de um ano como sócio, as férias aumentam para seis semanas por ano, e os sócios podem acumular férias sem levar em consideração o período sabático “devido ao fato de que o sócio terá dado uma contribuição substancial e significativa ao escritório”.

Sheena MacAskill, Diretora de Recursos Profissionais da McCarthy Tetraults em Ontário, contou ao The Lawyers Weekly qual é a política da empresa: “Um dos nossos quatro princípios na McCarthy Tetrault é proporcionar um ambiente profissional elevado. Proporcionar tempo para descanso e relaxamento é essencial para a habilidade de gerar um trabalho de qualidade aos nossos clientes. Reconhecemos que existem altos e baixos na prática da profissão dos advogados. Quando eles estão trabalhando em um nível em que se exige muito deles, nós os incentivamos a aproveitar os períodos mais tranqüilos. Desde o primeiro dia de trabalho, falamos aos nossos advogados: “Você é um profissional e é você quem deverá administrar seu tempo e a sua saúde pessoal e seu bem-estar.” No entanto, eu monitoro ativamente os associados. Qualquer um que estiver com mais de 200 horas remuneráveis no mês, geralmente eu chamo para saber como as coisas estão indo. Temos um certo número de formas, independentemente do direito a férias, pelas quais reconhecemos o esforço adicional.”

A Ogilvy Renault LLP também concede quatro semanas aos novos associados. Os sócios podem decidir por conta própria sobre a duração das suas férias, dependendo da carga de trabalho. Ava Yaskiel é membro do Comitê Executivo e trabalha com leis de valores. Ela contou ao The Lawyers Weekly que incentivam os advogados a tirarem férias. “Reconhecemos que trabalhar na área jurídica é estressante e esgotador. Não é saudável estar constantemente vinculado à empresa. As férias são vistas como uma oportunidade de revigoramento.” Afirmou que existem dois tipos de advogados: “aqueles que sempre devem estar disponíveis para o escritório e o outro tipo, como eu, que gosta de viajar a lugares distantes onde não há acesso telefônico nem Blackberry.” Ela esteve em um safári na África e visitou lugares como o deserto de Marrocos e a Patagônia, mas admite que férias anuais não seguem um cronograma e são escolhidas sem uma programação. Além disso, Yaskiel comentou: “Todos nós que trabalhamos em grandes empresas somos indivíduos com um perfil de grande representatividade, com diversas funções, e estamos muito expostos ao estresse. Ao ter isso em conta, é importante buscar um equilíbrio para se distanciar dessa atmosfera. Deve-se estabelecer um período de férias. Essa é uma das vantagens de trabalhar em uma grande empresa, pois você é uma parte importante da equipe, e não é indispensável. Nos grandes escritórios de advocacia, os clientes se acostumam a ter mais de um advogado trabalhando nos seus casos. Eu me sinto muito confortável ao deixar responsabilidades aos demais membros da equipe. Se você trabalha sozinho, torna-se mais difícil. Se você precisa se ausentar, seus clientes se sentem perdidos”.

O centro dessa questão parece ser: trabalho primeiro, férias depois. “Algumas vezes você está com as férias programadas e precisa cancelar porque algo muito importante aconteceu e sua presença é necessária”. Rob Grabatstein, sócio administrativo nacional da Blake, Cassels & Graydon LLP, reafirma: “Nós incentivamos a todos nossos advogados a tirarem férias porque eles precisam recarregar as baterias, mas pedimos que estejam disponíveis para seus clientes caso surja alguma necessidade.” A coach pessoal certificada e consultora aposentada Isabell St-Jean disse que “operar no piloto automático, a 100 Km por hora, afeta o desempenho dos advogados, mas, o que é mais preocupante, afeta a sua habilidade de ter um sentimento de realização profissional, já que isso somente é possível quando mantemos uma conexão com nós mesmos.” “Quando somos totalmente consumidos pelo nosso papel profissional, deixamos de lado nossa essência e o resultado é que aparecem problemas nas relações mais importantes da nossa vida pessoal, inclusive no que diz respeito a nós mesmos”.

St-Jean, que oferece assessoria qualificada a profissionais de meia-idade e aposentados para eles administrarem melhor seus estilos de vida, aconselha a todos os profissionais com trabalhos estressantes a “fazerem um esforço para programar seus horários diariamente e semanalmente, para que tenham tempo livre para cuidar da saúde física e mental e para passar mais tempo com seus entes queridos. As férias também são essenciais para manter o bem-estar; no entanto, sair sem rumo para depois procurar ajustar todo o sentido de equilíbrio durante um período de férias normalmente não funciona.” Para finalizar, ela destaca: “Os advogados que trabalham em áreas rurais ou em pequenas localidades e que estão mais voltados para a comunidade, que estão mais próximos da natureza e não levam uma vida tão acelerada podem encontrar com mais facilidade a capacidade de manter um equilíbrio entre sua vida pessoal e profissional.”

*Este artigo foi publicado pela primeira vez no The Lawyers Weekly, que é publicado pela LexisNexis Canada Inc., e foi reimpresso com a sua devida autorização."

Last updated -23 janeiro 08

Voltar

Archived Martindale News